Papilomatose

Categoria: Saúde

Autor(a): Dr. Roberto Migliano Monteleone | Colaborador(es): Jornalismo Top.Co. | Cidade: Campinas | 25/11/2013 - 09:52

“Você conhece esta doença? Mais conhecida como verrugas, estes pequenos tumores surgem na pele de nossos cães idosos”

Foto Meramente ilustrativa: Divulgação Papilomatose

Foto Meramente ilustrativa: Divulgação Papilomatose

Os papilomas (verrugas) são formações que surgem na camada superficial da pele. São considerados tumores benignos de aspecto duro, de coloração variando do branco cinza ao negro. Têm a consistência dura, de superfície áspera e friável (rompe-se facilmente) e, consequentemente, fáceis de sangrar. 

Quanto ao tamanho, varia desde os pequenos nódulos circunscritos, medindo menos que meio centímetro de diâmetro, até as grandes massas. As formas múltiplas de papilomas, geralmente observadas na cavidade bucal, possuem distribuição em placas ou massas que lembram a forma de couve-flor.
A forma do tipo verruga cutânea aparece tanto no homem quanto no cão.

Tanto na aparência quanto no exame microscópico são semelhantes. Localizam-se na região da cabeça, pescoço e membros. Esta forma não é considerada contagiosa e atinge os mais idosos. As formas solitárias localizadas na pele não incomodam, mas se estiverem na pálpebra poderão causar uma lesão na córnea e, como consequência, levar ao comprometimento da visão.

Incidência da doença
A doença acomete várias espécies de mamíferos. É descrita tanto nos machos como nas fêmeas e não tem predileção de raça. É comum nos bovinos, equinos e canídeos, mas raramente observada nos felinos, aves e répteis.

Localização das verrugas
Estão sempre expostas à superfície da pele ou mucosa. Observamos na boca, língua, palato (“céu da boca”), faringe, epiglote, gengivas, região labial, pálpebra e até na córnea. Nas vacas e novilhos, a zona preferida são as partes mais finas da pele como a face, região abdominal, o canto dos órgãos genitais, úbere e tetas.

Qual a causa da doença?
A papilomatose de origem contagiosa é transmitida por um vírus do tipo DNA denominado de papovavírus. A papilomatose do tipo verruga cutânea, comum em animais idosos, não tem perigo de contágio. Tem como causa uma provável mutação celular (fenômeno de alteração celular).

Tipos de papilomas e sintomas
A forma de papilomatose contagiosa múltipla geralmente localizada na cavidade bucal prolifera-se na mucosa e invade as regiões mais profundas como o palato, faringe e epiglote.

Papilomatose contagiosa
Verrugas na parte interna e externa da boca de um cão, ou seja, que invadem a boca, palato (“céu da boca”) e faringe. Aproximadamente quatro semanas após o contágio, o animal manifesta os primeiros sintomas da doença. Geralmente ele apresenta salivação constante com sangramento de odor fétido.

Demonstra dificuldade e dor ao ingerir o alimento, impossibilitando uma nutrição adequada, pois praticamente não consegue alimentar-se. Nos casos mais graves, os animais tornam-se anêmicos e enfraquecidos sendo assim vulneráveis a outras afecções.

Tratamento da papilomatose
Nas formas de verrugas não contagiosas, a remoção cirúrgica é a melhor opção por ser a cura definitiva. Podemos utilizar a eletrocirurgia (uso do bisturi elétrico) ou a criocirurgia (KRIO-GUN, dispositivo que utiliza substância química que congela a verruga a menos 20°C).

Para as verrugas solitárias e de pequeno volume podemos aplicar o Ácido Nítrico fumegante ou Tintura de Tuya.
Nas formas de papilomatose contagiosa da cavidade bucal é necessária a anestesia geral e eletrocirurgia. O uso de antibióticos é muitas vezes necessário para o combate das infecções secundárias.

Nas formas contagiosas, mesmo após a realização da cirurgia, há a possibilidade de recidiva. Existe também a possibilidade de cura espontânea da doença, mas que pode levar até vários meses.

Os medicamentos utilizados à base de Arsenicais (Licor de Fowler) e Clorobutanol são úteis para os animais expostos ao contágio. Podem ser aplicados no local das lesões e apresentam uma ação bloqueadora do crescimento viral.

Tratamento com vacinas (imunoterapia)
Para os casos rebeldes, de difícil cura ou recidivantes, o tratamento mais recomendado é sem dúvida a Autoimunoterapia. Utilizamos a verruga do próprio animal para fabricar a vacina.

É feito um triturado de algumas verrugas, adicionadas substâncias para neutralizar o poder de contágio do vírus, sem alterar a capacidade de produção de anticorpos. O animal recebe doses crescentes da vacina em intervalos regulares. Assim, leitores da Cães Amigos, observamos em curto espaço de tempo a cura definitiva da doença.

Na minha prática clínica tenho utilizado a associação do Clorobutanol e Imunoterapia, obtendo assim excelentes resultados.

Roberto Migliano Monteleone é médico veterinário (CRMV SP 1833)
www.clinicaveterinaria.com.br