Cães enxergam colorido?

Categoria: Visão

Autor(a): Jorge da Silva Pereira | Colaborador(es): Jornalismo Top.Co. | Cidade: Campinas | 28/11/2013 - 10:19

Durante muitos anos se acreditou que cães não viam as cores e seu mundo era feito em preto e branco
Foto Meramente ilustrativa: Divulgação Cães enxergam colorido?

Foto Meramente ilustrativa: Divulgação Cães enxergam colorido?

O questionamento sobre a visão dos cães ultrapassa a barreira da mera curiosidade intelectual. Afinal, leitores da Cães Amigos, o estilo de vida deles requer uma qualidade deste sentido que difere da qualidade da visão de seres humanos. 

Para nós, humanos, a acuidade visual e a percepção de cores são os fundamentos mais importantes. No caso dos cães, a acuidade visual não tem grande importância. A percepção de movimentos – muito mais aguçada do que a nossa – e a capacidade de enxergar em ambientes com baixa iluminação são os fundamentos que atendem ao estilo de vida desses animais.

Originalmente eles são espécies de hábitos noturnos. Só passaram a ter hábitos diurnos a partir do convívio estreito com seres humanos. Eles enxergam cores? Sim, é claro! As células da retina responsáveis pela visão em cores são os cones. As retinas caninas também são providas de cones, embora em menor quantidade do que a retina humana. Em compensação, quando pensamos nos bastonetes – células responsáveis pela visão de penumbra e captação de movimento – as retinas caninas são muito mais ricas.

O que ocorre é que nós, humanos, enxergamos as três cores básicas e todas as tonalidades decorrentes das associações dessas cores. Cães têm visão bicromática. Eles enxergam as cores porém em tons mais pastéis. Outras diferenças menos importantes também poderiam ser citadas quando se compara a nossa visão com a dos cães: percepção de forma, a perspectiva visual sobre o horizonte, o campo visual e a percepção de profundidade têm também suas diferenças entre as espécies.

O fato é que a visão de um cão seria fugaz para atender ao nosso estilo de vida. Da mesma forma, toda a nossa acuidade visual bem como a nossa capacidade de perceber as cores não faria grande diferença para atender ao estilo de vida deles. Afinal, eles não dirigem automóveis, não escrevem cartas e, ao que a gente saiba, tampouco leem cartas de amor. A não ser que o façam em voz baixa.

Jorge da Silva Pereira é médico veterinário graduado pela Universidade Federal Fluminense e pós-graduado em Oftalmologia Animal pelo Caspary Research Institute, Nova York e em Pesquisa Oftálmica pelo Harbour UCLA, Los Angeles – USA.
pereirajspereira@gmail.com