Enchente: uma ameaça também para os cães

Categoria: Viva Melhor

Autor(a): Júlio Mangussi e Keila Regina de Godoy | Colaborador(es): Jornalismo Editora Top.Co. | Cidade: Campinas - SP | 10/02/2015 - 09:05

Animais que entram em contato com a água das enchentes podem contrair doenças, por isso é preciso se precaver
Foto meramente ilustrativa: 
©iStockphoto.com/ Stopboxstudio

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No verão, as chuvas são cada vez mais frequentes, assim como alagamentos e deslizamentos de terra, que resultam em pessoas desabrigadas e até vidas perdidas. A população sofre e, claro, os animais padecem junto com seus donos. Indefesos, cães correm diversos perigos de se perder, adoecer e até morrer. 

Por isso, é importante redobrar a atenção e os cuidados também com eles nessa época, especialmente se houver contato com água de enchentes. Confira tópicos com orientações da médica veterinária Keila Regina de Godoy. 

- Em situações de emergência, os animais devem ser removidos da área de risco junto com seus donos. Se isso não for possível, as autoridades locais (defesa civil, bombeiros e até ONGs de proteção animal) devem ser acionadas para ajudar.

- Quem mora em região de alagamento nunca deve manter o animal preso a correntes. Além de comprometer sua qualidade de vida, isso impede que ele consiga se defender em caso de alagamento. 

- A ração deve ficar estocada em local alto, seco e arejado, pois a umidade excessiva causa alterações que comprometem a qualidade do alimento e, consequentemente, a saúde do animal. 

- Jamais se deve permitir que um animal beba água de enchente, pois pode estar contaminada. 

- Alimentos que tenham tido contato com água de enchente devem ser obrigatoriamente descartados. 

- Utensílios, como comedouros, casinhas etc., precisam ser muito bem higienizados com água e sabão e, posteriormente, colocados em imersão em uma solução desinfetante:  diluir 1 copo de água sanitária em 4 copos de água e deixar os utensílios imersos por pelo menos 1 hora para descontaminação. 

- Se o animal tiver contato com água contaminada, deve receber, o quanto antes, um banho com secagem adequada, o que ajuda a evitar doenças de pele e ouvido. 

- Deve-se observar a presença de possíveis lesões cutâneas, fraturas e outros processos traumáticos, bem como alterações na coloração da pele, das secreções, dos olhos e das fezes. Em caso de alteração, o animal deve ser avaliado por um médico veterinário. 

- Caso ele não apresente nenhum sintoma clínico aparente, água e alimentação devem ser oferecidas normalmente. 

- Um animal assustado pode apresentar oscilações de apetite e dúvidas sobre onde fazer suas necessidades. Os proprietários não precisam se alarmar, mas se o comportamento persistir é indicado passar pela avaliação de um médico veterinário. 

- Cuidado com a leptospirose, doença transmitida pelo contato com urina e fezes de ratos. Cães e gatos podem ser infectados e ainda transmitir a doença para humanos e outros bichos de estimação pela urina, água, utensílios contaminados e o próprio sangue. Enquanto gatos não apresentam sintomas clínicos, os cães podem apresentar os seguintes: febre, depressão, perda do apetite, vômito, desidratação, mucosas com coloração variando de amareladas a alaranjadas, pele amarelada, urina escura e até dor muscular. Em alguns casos de infecção leve, os sintomas podem demorar a aparecer, dificultando o diagnóstico. Na evolução da doença, observa-se insuficiência renal, insuficiência hepática, hemorragias, lesões na pele e hematomas pelo corpo, bem como úlceras na boca e língua. 

-Se o pet teve histórico de contato com água contaminada ou apresentar os sintomas relacionados, é imprescindível que seja levado a um médico veterinário. 

- Mantenha a vacinação do cão sempre em dia. As vacinas múltiplas que previnem as principais doenças infecciosas são extremamente necessárias e podem salvar a vida do animal em caso de enchentes. Nos filhotes, podem ser feitas a partir dos 45 dias. Para os adultos, a revacinação deve ser feita anualmente. Em animais que vivem em áreas expostas a alagamentos, à presença de ratos e ao contato com esgotos, a vacina contra leptospirose deve ser administrada semestralmente.

Não abra mão desses cuidados que podem salvar a vida do seu amigo!