Cromodacriorreia ou lágrima marrom em cães

Categoria: Saúde

Autor(a): Jorge da Silva Pereira | Colaborador(es): Jornalismo Top.Co. | Cidade: Campinas | 25/11/2013 - 11:54

Problemas quase inofensivos com o canal lacrimal dos cães
Foto Meramente ilustrativa: Divulgação Cromodacriorreia ou lágrima marrom em cães

Foto Meramente ilustrativa: Divulgação Cromodacriorreia ou lágrima marrom em cães

Sempre que a lágrima escorre por fora do canal lacrimal, pelo focinho do cão, haverá umidade da região abaixo dos olhos e uma mancha marrom, a qual, em cães de coloração clara nessa região, deixa bem evidente essa pigmentação castanha, nada estética, porém praticamente inofensiva.

A via lacrimal inicia-se na região ocular e desemboca na cavidade no nariz e, em algumas raças, na boca. Na região ocular existem 2 entradas para a lágrima, chamadas de pontos lacrimais inferior e superior, localizadas na junção da mucosa com a pele das pálpebras inferiores e superiores, no canto interno do olho do cão. Elas se unem internamente, formando o ducto nasolacrimal para, então, desembocar na narina e na boca.

A lágrima drenada por fora da via lacrimal natural, pela superfície da pele, causa umidade na região abaixo dos olhos do cão, facilitando a proliferação de bactérias não patógenas, porém capazes de produzir secreção fétida de coloração escura.

Ao contrário do que dizem leitores da Cães Amigos, a lágrima não é ácida, tem pH neutro adequado para sua localização ocular. Porém, um de seus componentes é a lactoferrina que, quando acumulada, pode levar a uma coloração escura.

Juntando estes dois mecanismos de formação de pigmento escuro é que chegamos à cromodacriorreia (“lágrima marrom”). As raças mais acometidas são as toys (Poodle, Maltês, Bichon Frise etc.) e as braquicefálicas (Pug, Boxer, Bulldog Inglês, Bulldog Francês, Shi Tzu, Persa etc.)

O tratamento consiste em eliminar a causa do lacrimejamento excessivo ou do desvio da drenagem da lágrima. Para a maioria dos casos existe correção cirúrgica definitiva. Em outros casos, ou quando se opta por não realizar a cirurgia, existem algumas dicas de manutenção:

• evitar lavar diariamente a região;
• manter a região bem seca com gaze, paninho limpo ou lenço de papel;
• massagear o canto dos olhos diariamente para evitar entupimento na ponta lacrimal;
• aplicar pó de maisena na região abaixo dos olhos para conter a umidade e
• manter o pelo dessa região bem aparado.
Se, com todos esses cuidados, ainda assim você notar a região abaixo dos olhos úmida, mesmo sem a mancha marrom, procure o oftalmologista veterinário para sondar o canal lacrimal, depilar os cílios que estão produzindo o excesso de lágrima ou identificar a causa de base.

Jorge da Silva Pereira é médico veterinário especializado em Oftalmologia.
contato@drjorgepereira.com.br

 

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